Ano de finalização: 2007
Área construída: 1.500m²
Localização: Porto Alegre, Brazil 
A nova sede da agência Escala está localizada na Avenida Carlos Gomes, no 300, no Trust Business Center. Ocupa integralmente segundo e terceiro pavimentos, além de espaço externo, semi-aberto e semi-coberto, num total 1.500,00m2 de área útil. As lajes estão interligadas por uma escada privativa, à parte da circulação vertical do edifício, projetada exclusivamente para a agência Escala, como parte integrante da nova sede.
O desafio do projeto para a Escala era conciliar as necessidades funcionais e programáticas da agência, atendendo a complexidade de sua operação interna, à uma proposta formal/estética inovadora, que exprimisse fisicamente a filosofia da empresa: “gerar soluções em comunicação de marketing, com impacto e relevância, que conectem as empresas a seus públicos, com resultados.” 
O briefing estava claro: “desejamos um espaço que não se pareça com um escritório. Desejamos um espaço que propicie as melhores condições de trabalho para as nossas equipes, sob todos os aspectos, com o foco na qualidade da produção”. 
À parte do conceito, é claro, estava o programa: Diretorias, Atendimentos, Criação, Planejamento (com mesa de sinuca), Produção Gráfica, Produção Eletrônica, Estúdio Fotográfico, Sala de Espelho (para dinâmicas de grupo), três salas de reuniões para público externo, sala de reuniões para a Criação, sala de reuniões para o Planejamento, e a grande Sala Multimídia para público interno e clientes – capacidade para 26 pessoas –, componível em duas menores. Além destes setores, há o Faturamento, Contabilidade, Recursos Humanos, Tecnologia de Informática, CPD, cozinha, copas e quatro núcleos distintos de sanitários. Áreas especiais pontuam o programa, chamadas “Estares Curinga”. A área externa semi-aberta e semi-coberta, informalmente denominada “Pergolado”, abriga espaço gourmet, mesas, bar e mobiliário especial, disposto de acordo com a natureza lúdica do espaço. 
Desde o ponto de vista arquitetônico, para o projeto em questão, entende-se que forma e função são indissociáveis. A intenção inicial e irredutível de prover unidade formal à grande quantidade de espaços, de natureza e propósitos diversos entre si, dispara a idéia de criar a “família de formas da Escala”. A família é composta por todas as peças de mobiliário da agência, inclusive de suas 162 estações de trabalho. Estantes volantes, gaveteiros e arquivos também são feitos sob medida para atender à risca a proposta formal/funcional desejada. 
Para nortear a composição dos espaços, as relações estabelecidas entre os mesmos e a referida “família de formas”, foram estabelecidas premissas básicas a serem seguidas – para nunca serem perdidas de vista –, a saber: atemporalidade, precisão, rigor, universalidade, economia de meios, supressão do desnecessário ou acessório, além do entendimento do espírito da época, ou do Zeitgeist. Qual é o espírito de nossa época, afinal? Há várias hipóteses, é verdade, mas o desenho que se pretende universal e transcendente do tempo deve se amparar em premissas objetivas, densas, verificáveis, que contornem facilmente a trava do “gosto ou não gosto”, da subjetividade por si só. É dizer, julga-se apropriado adotar premissas que nortearam o desenvolvimento de objetos clássicos no decorrer da história da arte e da técnica, seja na arquitetura, escultura, pintura, literatura, música, desenho industrial – basta escolher uma. 
Assim, tomou-se como referência conceitual um momento específico da história da arte, que contém as premissas desejadas: as vanguardas pictóricas dos anos 1920, inseridas no contexto do Movimento Moderno Europeu. A saber, o Suprematismo (russo), o Neoplasticismo (holandês) e o Purismo (francês), mais especificamente nas obras de seus expoentes, como Kasimir Malevich, Gerrit Rietveld, Theo Van Doesburg, Piet Mondrian, Amédée Ozenfant e Charles Édouard Jeanneret. A pintura sempre influenciou a arquitetura (e vice-versa), e a história revela momentos em que a associação de ambas resulta em formas transcendentes e atemporais. A realidade sobrepuja a aparência. A forma segue a função. A verdade dos elementos opõe-se à mera “cosmética”. O rigor geométrico define a forma. A matemática torna-se poética. O desnecessário é suprimido. A essência permanece. A responsabilidade aumenta.
Nas referências mencionadas há propriedades que interessam para a composição da “família de formas” da Escala: a abstração das formas, a complexidade do simples – afinal de contas, o que é fácil de ler é difícil de escrever –, o rigor da geometria, a solução de mais problemas com menos gestos (através do uso de elementos-tipo), o entendimento dos ritmos, o uso de cores primárias, a composição de planos em intersecção/justaposição/deslizamento, a transcendência do tempo, a universalidade na compreensão do proposto. É a possibilidade de transpor conceitos do mundo bidimensional da pintura para o mundo tridimensional da arquitetura.
Esta é a base teórica/acadêmica que norteia todos os elementos e espaços que compõem a nova sede da agência Escala. O que confere unidade e unicidade aos mesmos.
Na prática, a clareza na distribuição possibilita a leitura dos pavimentos enquanto diagramas. Percebe-se facilmente que o segundo pavimento está ordenado em formato de cruz, em cuja intersecção encontra-se o acesso principal, a Recepção, a escada neoplástica e o acesso ao Pergolado. O segundo pavimento pode ser entendido como um T invertido, no qual a perna horizontal define a circulação. 
A supressão do ornamento ou do acessório desnuda as formas. Exemplo disso é a escada que une as lajes, a escada neoplástica. Composta por planos de aço dobrado e soldado, ancora-se num pilar de secção esbelta, também de aço, formando um leque. O pilar, por sua vez, ancora-se na laje do 3o para o 4o pavimento, repousando sobre a laje entre o 2o pavimento e o térreo. O revestimento interno em MDF obedece cegamente à regra geométrica imposta pelo movimento ascendente. 
 
Uma casca metálica envelopa o leque fazendo clara referência à composição de planos publicados De Stijl, a revista da vanguarda holandesa nos anos 1920. As operações de justaposição, intersecção e deslizamento de planos criam dinâmica, movimento. Não há molduras ou rodapés. Bandeiras sobre as portas são banidas. Negativos são rigorosamente calculados. Perspectivas são estudadas. O pesado torna-se leve. O passeio arquitetônico (a promenade architecturale Corbusiana) é estabelecido. Todos os planos são piso-teto. Ou isso, ou nada. 
Existe a questão técnica: foram elaborados protótipos do mobiliário que compõe a “família de formas”, para que se chegasse às soluções mais adequadas do ponto de vista construtivo, formal e funcional. Sobretudo no caso das estações de trabalho para os setores de Atendimento, Criação e Planejamento, que prevê um sistema especial de alimentação do cabeamento estruturado, através de um sistema de passa-cabos detalhado desde o piso até os tampos das estações. O cabeamento estruturado (voz e dados) se estende debaixo do piso elevado num total de 27 quilômetros de cabos UTP CAT6, para distribuição de 600 pontos de rede. À parte do deste, há o elétrico, com 32 quilômetros de cabos para iluminação, tomadas de energia comum e tomadas ininterruptas para computadores, distribuídos em 160 circuitos distintos. O projeto de luminotécnica prevê sutis variações, de acordo com as necessidades de cada espaço, sempre obedecendo à unidade formal proposta.
PLANTA BAIXA
PLANTA BAIXA 2º PAVIMENTO
DETALHES ESTAÇÃO ESCALA
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